Artistas e público celebram a realização do 1º. Festival de Animação “Animagia”

Cortinas da Cultura voltaram a se abrir aos artistas e plateias

O 1º. Festival de Teatro de Animação de Blumenau, encerrado no sábado e realizado nos palcos do Centro Cultural 25 de Julho, do Teatro Vila de Bremen e em espaços alternativos do Shopping Park Europeu, foi evento bastante elogiado e comemorado pelos grupos participantes e também pelo público, que pode acompanhar, de forma presencial e gratuita, todas as apresentações programadas.

O Animagia teve início na noite de quinta-feira, dia 14, com a exibição do espetáculo “O Flautista de Hamelin”, da Cia. Trip Teatro, de Rio do Sul. O grupo, liderado pelo diretor William Sieverdt, também se apresentou na sexta e no sábado, com “Kasperl e a Cerveja do Papa” e “O Velho Lobo do Mar”.

De acordo com Sieverdt, o retorno dos espetáculos presenciais permite ao público “vivenciar o rito teatral, o encontro, a troca, as emoções que o teatro proporciona”. Durante as apresentações do grupo, as crianças da plateia se empolgaram, palpitando, interferindo e “orientando” os personagens em algumas cenas, aos gritos de “Ele está ali!; Cuidado!; Ele fugiu!; Atrás de você”! Ao final de sua participação, Sieverdt agradeceu à organização do evento, afirmando que a cidade de Blumenau se engrandeceu com mais esta iniciativa cultural do Inarti.

Beto Malabares e Rosinha Walther encantaram o público infantil com suas habilidades e também com a mensagem ecológica de “Brincando com o Lixo”. O garoto Pedro Muller Adriani, de 8 anos, que acompanhou a apresentação ao lado de sua mãe, Christiane, declarou, com surpreendente maturidade, ter gostado muito da peça “porque fala de reciclagem e não mostra animais em jaulas”. Beto e Rosinha, que já são figuras conhecidas por suas apresentações em Fenatibs e também pela longa militância no teatro de bonecos, também celebraram o retorno do público. De acordo com eles, “é gratificante perceber a interação das crianças com os bonecos, perceber como eles participam e vivenciam a história”.

Pedro Boneco, do “Teatro de Bonecos Pois é… Então Tá!”, apresentou dois espetáculos: “O Vendedor de Bananas”, com uma proposta basicamente diversional, e “O Amigo da Onça”, trazendo ao público presente as raízes do teatro “mamulengo”, originário do nordeste brasileiro. Pedro, que está nesta caminhada teatral há 28 anos, também trouxe mensagens ecológicas em suas performances, destacando a maneira e os materiais com que seus bonecos são construídos, em total respeito à natureza. Também saudou o nascimento do Animagia, como “a mais nova e promissora possibilidade de apresentação aos artistas que se dedicam a estas técnicas de criação”.

Fritz Müller e a capivara Piva foram trazidos ao palco pelas mãos da Cia. Macadame, no espetáculo “Fritz Müller no Vale das Descobertas”. A dupla formada por Priscila Gilinski e Rafael Leandro de Souza deu vida aos bonecos trazendo a mensagem de preservação do meio-ambiente, especialmente dos nossos rios e mananciais, fontes de sobrevivência para qualquer espécie. No enredo, a trajetória do pioneiro Fritz Müller e de sua importância para a ciência e para a história de Blumenau. Os artistas se declararam “muito felizes pela oportunidade de participar do Animagia”, desejando “vida longa ao Inarti”.

O clássico “João e o Pé de Feijão” trazido pelo grupo Essa é Cia. De Teatro, de Joinville, que fez no Animagia a sua primeira apresentação depois do advento Covid. Para a atriz Bruna Compagnollo, que atua em parceria com Cássio Correia, “o espetáculo prega a importância da ajuda mútua. Procura trazer leveza e conforto, exaltando a alegria e a bondade”. Ela ressalta que “até mesmo o Gigante não é um personagem agressivo”.  

A Cia. Manipuladora de Formas Etc I Tal, dirigida por Cidval Batista Junior apresentou “Vida Seca”, inspirada na obra de Graciliano Ramos. O texto trata do atualíssimo tema da preservação dos rios e das crises hídricas que estão se repetindo de forma cada vez mais frequente. De acordo com ele, o espetáculo acaba por sensibilizar e impactar as crianças ao tratar da fome e da miséria, que se materializam dramaticamente com a morte da cadela Baleia.

Outro clássico infantil, “O Patinho Feio” veio ao Animagia pela Cia. Miiller Teatro de Bonecos, de Curitiba (PR). O espetáculo prendeu as atenções de crianças e adultos com seus efeitos de luz e pela utilização da técnica de hastes. Para o diretor Cláudio Miiller, a peça traz a mensagem de “amizade e respeito às diferenças”. Ele, que apresenta este mesmo espetáculo desde 2004, afirmou que “estava sentindo falta do ‘buchicho’ das crianças”, pois desde o início da pandemia não realizavam uma apresentação com presencial, sentindo o retorno da plateia.

Os “Inventores de Sonhos” Sebastian Marques e Rafaela Peralta, de Balneário Camboriú, trouxeram ao Animagia “Bendito os Beneditos”, um puro exemplar do teatro mamulengo, no qual “madeira e pano se transformam em coisas fantásticas”. Sebastian exaltou a criação do festival, afirmando que “o teatro de bonecos não funciona online, pois depende da interação, da troca; seja no palco, nas praças ou nas ruas. Durante o espetáculo, as crianças entram no mundo dos bonecos e se esquece da tecnologia, se esquece do mundo virtual nesses encontros”. Em uma rápida reflexão a respeito deste período em que artista e público ficaram mais distantes por causa do Covid, ele disse que “a pandemia veio para fazer com que se olhe ao outro de um modo diferente”, enfatizando a necessidade de investirmos mais em relações humanas mais solidárias e afetivas.

O último grupo a se apresentar no Animagia foi a Cia. Mútua, de Itajaí. No espetáculo “El Gran Circo”, Laura Correia e Guilherme Freitas apresentaram quatro cenas, com histórias distintas e divertidas, que trataram de pequenos a grandes dramas da humanidade como, por exemplo, a inevitável morte (o sono eterno) ou o banal incômodo causado por um pernilongo que não nos deixe dormir em paz. Laura Correia afirmou estar muito feliz com a participação no evento e desejou “vida longa ao festival”.

O Animagia nasceu e foi produzido em menos de um mês pelo Inarti – Instituto de Artes Integradas de Blumenau, sob direção e coordenação da professora Maria Teresinha Heimann. Para que esta iniciativa chegar a este êxito, agora comemorado pelos artistas e organização, ela ressalta “a união e o esforço da equipe, que trabalhou com afinco e amor à arte”. No encerramento, ela afirmou que “as cortinas se encerram temporariamente; mas com certeza, o Animagia veio para ficar e voltará no próximo ano, com abrangência nacional”.

LUIS BOGO

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